Integrantes Pescarte participam de Fórum sobre o Rio Itabapoana
Integrantes de São Francisco de Itabapoana falaram sobre os impactos de barragens e portos na pesca durante mesa redonda.
No dia 12 de setembro, pescadoras, pescadores e equipe técnica do Projeto de Educação Ambiental (PEA) Pescarte de São Francisco de Itabapoana participaram do II Fórum dos Saberes da Bacia Hidrográfica do Rio Itabapoana. Ao todo, 15 integrantes do projeto estiveram no evento, que aconteceu de 10 a 12 de setembro, no Campus Bom Jesus do Instituto Federal Fluminense (IFF).
O Fórum foi organizado pela Restauração e Ecodesenvolvimento da Bacia Hidrográfica do Rio Itabapoana (REDI), organização da sociedade civil socioambiental que trabalha pela restauração integral da bacia. O evento teve como objetivo fortalecer a gestão compartilhada da água, a justiça climática e a capacidade das comunidades de enfrentar as mudanças do clima na bacia, que abrange 18 municípios do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de Minas Gerais. Segundo a REDI, a região vive um cenário crítico, com falta de água, eventos extremos frequentes, degradação ambiental e desigualdades sociais que atingem principalmente as populações periféricas, rurais e tradicionais.
Nesta segunda edição, o encontro aproximou ciência, gestão pública e saberes populares, com foco na adaptação e na justiça climática. Participaram pesquisadores, estudantes, gestores públicos, representantes da sociedade civil, setores produtivos, artistas, coletivos culturais e comunidades atingidas por desastres climáticos. A programação incluiu mesas-redondas, oficinas, atividades participativas e espaços de divulgação científica.
Durante o Fórum, foi lançado o Plano Popular de Adaptação Climática para a Bacia Hidrográfica do Rio Itabapoana. Feito a partir de diagnósticos construídos com as comunidades e orientado por evidências científicas, o plano reúne soluções concretas, pensadas para cada território e socialmente justas. A programação também teve atividades culturais, que deram visibilidade às expressões artísticas dos territórios da bacia.
Pela manhã, os pescadores e pescadoras participaram de uma mesa redonda sobre a pesca no Rio Itabapoana. Vindos de municípios do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, eles apresentaram suas cidades, contaram como é a vivência na atividade e debateram os impactos que observaram ao longo do tempo, principalmente os causados por barragens e empreendimentos portuários da região.
Uma das participantes da mesa foi Noelma Gonçalves Soares. Ela nasceu e cresceu em Barra do Itabapoana, faz parte do Pescarte há 12 anos e hoje trabalha de forma autônoma, filetando e vendendo peixes.
“Foi importante falar a situação do Rio Itabapoana e do que enfrentamos no dia a dia, além de conversar com os pescadores mais antigos sobre os impactos da hidrelétrica. Aprendi muita coisa e tenho muita vontade de continuar participando dos próximos encontros”, completou.
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